Índice >> Serviços >> Cursos >> Artigos >> Vamos Acabar com os Boatos?! 

Vamos Acabar com os Boatos?!

Vamos Acabar com os Boatos?!
(ou Guia para verificar se uma notícia é falsa)

Texto adaptado e abreviado de “Para mandar no grupo da família: um guia de como checar se uma notícia é falsa”, Juliana Gragnani, da BBC News Brasil em Londres, 14 de Setembro 2018. Fonte original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45043716

Vamos Acabar com os Boatos?!

Vamos Acabar com os Boatos?!
(ou Guia para verificar se uma notícia é falsa)

Abres o telemóvel ou o computador e recebes uma notícia encaminhada por um amigo ou parente. Ela confirma completamente as tuas convicções ou então causa-te muita surpresa ou repulsa? Segundo os especialistas, este apelo às emoções mais imediatas é uma das características principais do conteúdo falso.
A disseminação de notícias falsas com o objectivo de manipular a opinião pública torna-se ainda mais preocupante com a proximidade de eleições.
Dá um pouco de trabalho testar a veracidade dum conteúdo, mas vale a pena incorporar alguns desses passos to teu dia a dia para que não te transformes, inadvertidamente, num vector de notícias falsas.
Eis um guia de como identificar notícias falsas. Quando receberes uma notícia, toma algumas precauções e reflecte:
1) Pára e pensa. Não acredites na notícia ou compartilhes o texto de imediato.
2) Ela causou-te uma reacção emocional muito grande? Desconfia! Notícias inventadas são feitas para causar, em alguns casos, grande surpresa ou repulsa.
3) A notícia simplesmente confirma alguma convicção tua? Também é uma técnica da notícia inventada. Não quer dizer que seja verdadeira. Desenvolve o hábito de desconfiar e pesquisar.
4) A notícia está a pedir para acreditares nela ou, por outro lado, está mostrando por que acreditares? Quando a notícia é verdadeira, é mais provável que ela cite fontes ou dê links ou cite documentos oficiais e seja transparente quanto a seu processo de apuração.
5) Produzir uma reportagem assim que os eventos acontecem toma tempo e exige profissionais qualificados. Desconfia de notícias bombásticas no calor do momento.
O que deves fazer na prática:
1) Lê a notícia inteira, não apenas o título;
2) Averigua a fonte:
a. É uma corrente de WhatsApp ou de outra rede sem autoria alguma ou link para um site? Desconfia e, de preferência, não a partilhes;
b. Tem autoria? É uma fonte legítima, na qual já confiaste no passado? Se não, talvez seja melhor não confiares. Pesquisa o nome do veículo, autor ou da autora no Google e vê o que mais essa pessoa está a produzir e para que veículo de imprensa. Além disso, presta atenção para averiguares se o site que reproduz a notícia está a publicar só notícias de um lado político, por exemplo, a mostrar que talvez haja algum viés ideológico;
c. Há no texto referência a um veículo de imprensa, como se fosse o autor da notícia? Entra no site original do veículo de imprensa para verificares se a notícia está lá de facto;
3) Digita o título da notícia recebida no Google. Se for verdadeira, é provável que outros veículos de imprensa confiáveis estejam a reproduzir a mesma notícia; se for falsa, pode ser que veículos de teste já tenham averiguado o boato. Pesquisa nos resultados da busca;
4) Pesquisa, também, os factos citados dentro da notícia. Ela apoia-se em acontecimentos verificáveis? Por exemplo, se ela afirma que alguma autoridade disse algo, há outros veículos de imprensa a reproduzir o que essa autoridade disse? Tenta procurar isso na internet;
5) Verifica o contexto, como a data de publicação. Tirar a notícia verdadeira do seu contexto, divulgando-a numa data diferente, por exemplo, é um tipo de desinformação;
6) Pergunta à pessoa que encaminhou a notícia para ti de quem a recebeu, se confia nessa pessoa e se conseguiu testar alguma informação;
7) Recebeste uma imagem que conta uma história? É possível fazer uma busca "reversa", por meio da imagem, e não por texto, e verificar em que outros sites ela foi reproduzida, o que pode dar pistas da sua veracidade. Guarda a fotografia no teu computador e usa-a no teu mecanismo de busca ou cola o seu url nesse navegador:
Se estiveres no computador, usa este endereço: https://images.google.com/
Se estiver no telemóvel, tente neste site independente do Google: https://reverse.photos/
8) Recebeste um áudio ou um vídeo com informações? Tenta resumir essas informações e procurá-las no Google. Exemplo: recebes um áudio a dizer que no dia seguinte haverá greve de autocarros. Procura no Google: "greve de autocarros" juntamente com a data. Outra opção é buscares no Google: "áudio greve de autocarros WhatsApp", por exemplo. Essa busca pode resultar num desmentido duma agência de teste de notícias, se não for verdadeira, ou numa notícia real de algum órgão de imprensa, se for verdadeira;
9) Números: a notícia cita números de pesquisas ou de outros dados? Tenta procurá-los isoladamente para testares se fazem sentido;
(Fontes: NewsLitTip, CNJ (Conselho Nacional de Justiça), BBC, Factcheck.org)

O que são 'fake news' ou notícias falsas e porque te devem interessar?

Notícias falsas são um termo para designar notícias fabricadas, comprovadamente falsas - normalmente feitas para prejudicar outras pessoas e muitas vezes com objectivos políticos ou que procurem o lucro.
E elas sempre existiram, diz Sam Wineburg, professor de História da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, mas, "no passado, dependiam de jornais ou papéis que circulavam de mão em mão".
O que mudou? "Hoje, uma notícia falsa pode viralizar num instante - as redes sociais permitem um alcance enorme. Além disso, hoje, há mais produtores de informação", afirma ele.

Ou seja, o alcance e a difusão de notícias falsas aumentaram.
O fenómeno começou a ser observado mais de perto - estudado por pesquisadores e reportado pela média - com a profusão de notícias falsas nas redes sociais durante as eleições americanas em 2016, quando Donald Trump foi eleito para a presidência do país. Também foi quando o termo "fake news", cuja tradução por aqui é "notícias falsas", começou a ser usado.
Há pesquisas que apontam que as notícias falsas que circularam nas redes sociais durante o pleito americano podem ter influenciado seu resultado.
Há outros factores que contribuem para a profusão das notícias falsas actualmente e para a conversa em torno desse tema: a alta polarização política, a forma como as redes sociais funcionam e a fácil receita de sites com anúncios online são alguns exemplos.
O próprio uso do termo "fake news" é polémico. Depois de eleito, Trump começou a usar a expressão para atacar parte da imprensa americana, usando a expressão para se referir à cobertura de sua gestão, ressignificando-a.
Especialistas preferem falar em "desinformação" ou, em português, mesmo "notícias falsas". "O termo politizou-se. Já não ajuda", diz Peter Adams, vice-presidente da área de educação da News Literacy, instituição que promove aulas sobre o assunto. "É melhor falar em vários tipos de desinformação. Alguns exemplos são: uma sátira que não é interpretada como tal, conteúdo deliberadamente manipulado e notícias disseminadas fora do contexto."
E porque te deves importar com tudo isso? "Porque a verdade é justamente a base da democracia. A qualidade da informação está directamente ligada à democracia", diz Wineburg. Tudo bem em se discordar, mas que seja com factos verdadeiros, não inventados.

Mas muita gente cai nisso?

Sim.
Um dos estudos mais importantes sobre o assunto, publicado em Março por pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), mostrou que as notícias falsas se disseminam mais rapidamente e com maior alcance que as notícias verdadeiras - isso porque as pessoas as espalham mais.
Segundo esse trabalho, as notícias falsas são 70% mais prováveis de serem retuitadas (o estudo foi conduzido no Twitter) do que as notícias verdadeiras.
Há várias teorias para explicar porque isso acontece: a hipótese dos pesquisadores do MIT, segundo disseram ao site da universidade, é que as pessoas gostam de partilhar novidades para mostrar que estão "por dentro".
Também pode estar relacionado com as emoções das pessoas - eles observaram que as notícias falsas causam mais surpresa e repulsa, enquanto as verdadeiras causam mais ansiedade e tristeza. Quanto maior a surpresa com uma notícia, portanto, maior a vontade de partilhá-la. E as pessoas, segundo o estudo, surpreendem-se mais com as notícias inventadas (por isso faz todo o sentido observares as tuas emoções ao leres uma notícia e desconfiares se ela for muito exaltada, como indicado no guia acima).
"Se algo te faz ficar muito zangado ou feliz, pára um pouco e pensa antes de partilhar a notícia. É como dizer: 'Se algo é muito bom para ser verdade, provavelmente não é", diz Melissa Zimdars, professora de média da faculdade de Merrimack, nos EUA, que pesquisa sobre desinformação.
Além disso, qualquer um pode cair nessa. Enquanto alguns pesquisadores apontam que pessoas mais velhas estão ligadas à difusão de notícias falsas, outros dizem que pessoas mais jovens também não estão livres disso.
Esse estudo mostra que as pessoas mais velhas seguem no Facebook "páginas contratadas” (publicidade paga, mas com o aspecto de notícias reais), que lideram a polarização do debate político", enquanto os jovens se atêm às páginas da imprensa tradicional, "que costumam adoptar um tom mais neutro nas reportagens".
Um estudo de pesquisadores de Stanford, que teve participação do professor Wineburg, mostrou como os estudantes têm dificuldade em distinguir os anúncios das notícias e identificar de onde vieram informações.
"O argumento de que são 'nativos digitais' não cola", diz Wineburg. "Os jovens podem, sim, ser nativos digitais e ainda assim cair nos truques. As pessoas confundem a habilidade dos jovens em operar tecnologia com a sofisticação necessária para a entender."
Ele faz um paralelo: é como ser fluente numa língua, como somos quando crianças, e não saber a sua gramática - que só aprendemos depois, na escola.

Qual é o papel do Estado e o das empresas de tecnologia em tudo isto?

Alguns países introduziram legislação contra notícias falsas - o que alguns especialistas apontam como potencialmente perigoso. A Alemanha é um exemplo, com uma lei que entrou em vigor este ano exigindo que as redes sociais removam discursos de ódio e notícias falsas das suas plataformas num máximo de 24 horas, sob pena de multa.
Outros países, como os Estados Unidos, cobram a regulação a empresas como Facebook e Twitter. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, foi chamado ao Congresso em Abril deste ano para responder a questões sobre anúncios e perfis e notícias falsos que circularam na rede durante as eleições americanas.
Após ter páginas "amigas" removidas, o MBL acusou o Facebook de "censura" e falou-se na Câmara dos Deputados em criar uma "CPI do Facebook".


<  índice  voltar  >
Nota: Os produtos, técnicas, terapias e informações deste sítio não substituem a consulta do seu médico ou especialista!

Sede e Endereço Postal: Florais ZED - Centro Comercial D. Dinis, Sala 703 - Av. Combatentes da Grande Guerra - 2400-122 LEIRIA - PORTUGAL
Telefones: 00351 244836160, 00351 938195335         e-Mails: Terapias, Formação e Produtos [].
Está absolutamente interdita e sujeita a processo judicial qualquer forma de cópia ou reprodução dos conteúdos das páginas deste sítio.
O 7ºzed é a sede física dos Florais ZED, essências florais de Portugal desde 2001
Copyright © 2006-2019 - Francisco Godinho, Leiria.  Web-Designer [] Última modificação desta página: 22/01/19 Visitas desde 01/10/06: contador para blog